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Direito Processual Penal · CS-UFG · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Leia o caso a seguir. Duas testemunhas afirmam que F. A. não cometeu um crime contra o patrimônio de S. E., mas F. A. confessa sua culpa perante o juiz. Nesse caso, o magistrado poderia

Gabarito: B

No processo penal brasileiro, a confissão não funciona como um “cheque em branco” para condenar, nem como algo inútil que o juiz joga fora sem pensar. Pelo art. 197 do CPP, ela deve ser apreciada em conjunto com as demais provas, verificando-se se há compatibilidade com o resto do conjunto probatório. Em outras palavras: confissão ajuda, mas não manda sozinha no jogo. Por isso, o juiz pode condenar mesmo havendo testemunhas em sentido contrário, desde que explique por que deu mais peso à confissão e a quais outros elementos de prova ela se harmoniza. O ponto central é a motivação: o magistrado precisa enfrentar a contradição entre as provas e justificar sua convicção, em respeito ao art. 93, IX, da Constituição e ao princípio do livre convencimento мотивado. A letra B está correta porque não trata a confissão como prova plena automática, nem exige que ela esteja isolada das demais provas. Ela admite a condenação com base na confissão, desde que o juiz fundamente a decisão e indique os demais elementos que sustentam a versão acolhida. Em Processo Penal, o importante não é só “o que foi dito”, mas “como isso se encaixa no restante do processo”. Já a ideia de que a palavra das testemunhas sempre vence a confissão, ou o contrário, está errada. O sistema brasileiro não trabalha com hierarquia rígida e mecânica entre meios de prova, mas com apreciação racional e motivada do conjunto probatório.

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