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Direito Processual Penal · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Flávia, 33 anos, casada, mãe de JAC de 10 anos e MAC de 14 anos, que se encontravam em situação de violência doméstica e familiar. Com o intuito de resguardar sua vida e a de seus filhos, levou o caso ao conhecimento das autoridades competentes. Com base na Lei nº 11.340/2006, acerca das medidas protetivas de urgência concedidas a Flávia e seus dependentes é INCORRETO afirmar que

Gabarito: A

A Lei Maria da Penha trata as medidas protetivas de urgência como um verdadeiro “botão de emergência” para interromper a violência e proteger a vítima e seus dependentes. Por isso, elas podem ser concedidas de imediato, até sem ouvir as partes e sem manifestação prévia do Ministério Público, que deve apenas ser comunicado prontamente. Isso está alinhado com a lógica de proteção máxima da lei. Outro ponto importante é que o juiz decide com base em cognição sumária, isto é, sem aprofundar tudo como no processo principal. Basta o depoimento da ofendida perante a autoridade policial ou suas alegações escritas para que a proteção seja analisada com rapidez. A ideia é simples: primeiro protege, depois se discute o restante. A alternativa A está errada porque a lei não fala em apreensão de arma de fogo “no período de setenta e duas horas posteriores ao cometimento da violência”. O regime legal prevê a suspensão da posse ou restrição do porte de arma, com comunicação ao órgão competente, e a apreciação judicial das medidas protetivas em prazo curto, não nesse marco temporal inventado pela questão. O foco é a urgência, não a espera. Além disso, a lei admite que o juiz conceda novas medidas ou revise as já deferidas, isolada ou cumulativamente, sempre que necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio. Em resumo: a banca misturou a lógica correta da urgência com um prazo e uma formulação que não existem na Lei nº 11.340/2006.

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