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Direito Processual Penal · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Maria é casada com João há treze anos e eles não possuem filhos. Ocorre que o casal passava por alguns desentendimentos e Maria desejava dissolver a sociedade conjugal. Insatisfeito com a decisão de Maria, João a agrediu fisicamente. Após esse evento, mesmo com a insistência de João em prosseguir com o relacionamento, Maria decide pelo divórcio, propondo a respectiva ação judicial. Considerando o caso hipotético, assinale a alternativa correta em relação à atuação do Ministério Público.

Gabarito: C

A Lei Maria da Penha amplia bastante a atuação do Ministério Público. Pela regra geral do CPC, ele intervém quando há interesse de incapaz, relevante interesse público ou nas hipóteses legais. Mas, na violência doméstica e familiar contra a mulher, existe uma previsão específica: o art. 25 da Lei 11.340/2006 determina que o MP intervenha, quando não for parte, nas causas cíveis e criminais decorrentes dessa violência. No caso, Maria sofreu agressão física de João dentro do contexto da relação conjugal e, depois disso, ajuizou a ação de divórcio. Ou seja, a ação de família está diretamente ligada a um episódio de violência doméstica. Isso aciona a atuação do MP como fiscal da ordem jurídica, ainda que não exista filho, incapaz ou outro interesse tutelado clássico do CPC. Perceba a pegadinha: muita gente pensa que o MP só aparece quando há menor, incapaz ou crime. Só que a Lei Maria da Penha criou uma hipótese própria de intervenção. Em prova, quando o enunciado menciona violência doméstica e ação cível correlata, a banca quer que você lembre dessa norma especial. Então, o gabarito correto é o que reconhece a intervenção obrigatória do Ministério Público na ação de divórcio, justamente porque ela decorre de violência doméstica e familiar contra a mulher.

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