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Direito Processual Penal · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Maria, em razão de ser mulher, foi ameaçada e agredida fisicamente por seu companheiro, com quem convivia no mesmo lar havia dez anos. Por causa disso, ela registrou uma ocorrência policial e assinou termo de representação, dado o delito de ameaça. Foi instaurado o respectivo inquérito policial, e Maria obteve medidas protetivas contra o agressor, o qual foi devidamente intimado de que não poderia aproximar-se dela nem manter nenhum tipo de contato com ela. Considerando a situação hipotética anterior, assinale a opção correta à luz da Lei n.º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) e da correlata jurisprudência dos tribunais superiores.

Gabarito: B

A Lei Maria da Penha foi criada para dar uma proteção mais forte à mulher em situação de violência doméstica e familiar. E aqui entra um ponto muito cobrado em prova: o STJ entende que a vulnerabilidade da mulher, nesses casos, é presumida. Ou seja, você não precisa provar, caso a caso, que ela foi "subjugada" de forma específica para aplicar as garantias da lei. Basta que a situação se encaixe no contexto de violência doméstica e familiar previsto na Lei 11.340/2006. No caso narrado, Maria sofreu ameaça e agressão física por companheiro com quem vivia no mesmo lar. Isso já coloca o fato dentro do âmbito de incidência da Lei Maria da Penha, com medidas protetivas e tratamento jurídico especial. A lógica é simples: a lei não quer que a vítima tenha que passar por um teste extra de sofrimento para merecer proteção. Por isso, o gabarito é a letra B. A jurisprudência do STJ consolidou que a hipossuficiência e a vulnerabilidade da mulher são presumidas no contexto de violência doméstica e familiar, dispensando prova específica de subordinação feminina para aplicação da lei. Em prova CESPE, quando aparecer essa ideia de "presunção", desconfie menos: aqui ela está correta. Atenção também aos outros pontos clássicos: prisão preventiva não é decretada pela autoridade policial, e a renúncia à representação, quando cabível, não ocorre na delegacia nem por ata notarial, mas em audiência específica perante o juiz, com a oitiva do Ministério Público.

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