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Direito Processual Penal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Uma autoridade policial instaurou inquérito para apurar a prática de crime de peculato, de corrupção ativa e de associação criminosa por agentes de determinado órgão público. Para reunir provas das condutas delitivas e da autoria, a autoridade policial pretende proceder à busca e apreensão dos documentos e equipamentos eletrônicos que se encontram na residência de um dos investigados. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.

Gabarito: C

Busca e apreensão em residência mexe com dois direitos bem sensíveis: a inviolabilidade do domicílio e a necessidade de preservar a prova. Por isso, a regra é simples: para entrar na casa de alguém e apreender documentos ou equipamentos, a autoridade policial precisa de mandado judicial, expedido pela autoridade competente, salvo hipóteses excepcionais previstas na Constituição. No caso da busca domiciliar durante a fase de inquérito, o CPP disciplina que o mandado deve ser cumprido de dia, justamente porque a entrada forçada na residência é medida invasiva e exige controle judicial. Isso se harmoniza com o art. 5º, XI, da Constituição Federal, que protege o domicílio, permitindo o ingresso sem consentimento apenas em situações excepcionais, como flagrante delito, desastre, socorro ou, durante o dia, por determinação judicial. A pegadinha aqui é que a autoridade policial pode investigar, representar pela busca e executar diligências, mas não pode, por conta própria, invadir a residência para fazer busca e apreensão como se fosse uma medida livre. O máximo que ela faz, em regra, é requerer ao juiz a expedição do mandado. A execução da diligência também obedece ao horário legal. Por isso, o gabarito é a letra C: a diligência somente pode ser cumprida com autorização da autoridade judiciária competente, que expedirá o mandado de busca e apreensão, a ser cumprido durante o dia.

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