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Direito Processual Penal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

A respeito das organizações criminosas e infrações penais correlatas, assinale a opção correta com base na jurisprudência dos tribunais de superposição.

Gabarito: D

A colaboração premiada é um típico negócio jurídico processual penal: existe ajuste entre acusação e colaborador, com benefícios condicionados à utilidade das informações. Por isso, a doutrina costuma dizer que ela integra a chamada justiça penal negociada, em contraste com a lógica tradicional, mais conflitiva, do processo penal comum. A Lei 12.850/2013 disciplinou o instituto e o STF/STJ já assentaram que se trata de mecanismo válido, desde que respeitadas as garantias legais. No procedimento, o juiz não sai negociando acordo nem substitui as partes. O papel dele é controlar a legalidade, a regularidade e a voluntariedade do pacto, além de homologá-lo ou recusar a homologação se houver vício. Esse ponto é central na jurisprudência dos tribunais superiores: o Judiciário não pode entrar no mérito da conveniência da colaboração como se fosse um terceiro negociador. É exatamente por isso que a letra D está errada no enunciado original e seria a correta apenas se dissesse que o papel do Judiciário se restringe a esse controle formal e de voluntariedade. A ideia do tema é essa: Ministério Público negocia, defesa assiste, juiz controla. Simples, elegante e sem o juiz virar parte do acordo. Atenção também aos detalhes clássicos: o colaborador não renuncia ao direito ao silêncio de forma ampla e não fica automaticamente obrigado ao compromisso de dizer a verdade como testemunha comum. A colaboração tem regime próprio, e a banca adora testar esses limites com frases bonitas, mas tortas.

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