Tício é um indivíduo envolvido com atividade ilícita de clonagem de placas e de automóveis, líder de uma organização criminosa na comarca de Cachoeiras de Macacu, município do interior do estado do Rio de Janeiro. Antônio foi vítima da quadrilha de Tício e morreu numa emboscada. Instaurado o competente inquérito policial, as pessoas que foram ouvidas nada souberam informar acerca da autoria do fato e de suas circunstâncias. O auto de exame cadavérico atestou a causa mortis, sem qualquer dúvida: três disparos de arma de fogo na cabeça e dois no peito. A materialidade foi positivada, porém não foi possível apurar a autoria. A autoridade policial encetou todas as diligências possíveis e, após o esgotamento de todas elas, sugeriu, em seu relatório, o arquivamento do inquérito policial (IP), até que surgissem novos elementos. Passados seis meses, a esposa de Antônio compareceu ao gabinete do promotor de justiça, em busca de informações acerca da apuração do fato, e recebeu a notícia de que o IP havia sido arquivado. A esposa, então, disse: — Meu marido foi assassinado pelo Tício. Todo mundo sabe disso. Eu nunca fui ouvida nesse inquérito. Fui diversas vezes à delegacia, e nunca me ouviram. O crime teve motivação por causa de dívidas entre eles. Na casa de Tício estão os documentos e fotos que comprovam o que digo. O irmão de Tício tem consigo escondida a arma do crime até hoje, em sua casa. Impossível não terem processado Tício por esse crime. Nessa situação hipotética,
- A)o promotor de justiça que ouviu a esposa de Antônio deverá, em nome do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública, provocar o procurador-geral de justiça, para que este determine o desarquivamento do IP e a autoridade policial reinicie as investigações policiais, diante da notícia de novas provas.
Correta. Diante de noticia concreta de novas provas, o promotor deve provocar a chefia institucional para desarquivamento e retomada das investigacoes.
- B)a autoridade policial deverá, imediatamente e ex officio, reiniciar as investigações policiais, a fim de apurar os fatos diante da notícia de novas provas.
Incorreta. A autoridade policial não deve simplesmente reiniciar, de ofício e imediatamente, investigação já arquivada sem observar a atuação do Ministério Público.
- C)conforme estabelece o Código de Processo Penal, o Ministério Público deverá insistir na manutenção do arquivamento do IP, até que surjam novas provas que autorizem o seu desarquivamento.
Incorreta. Já surgiram informacoes novas relevantes, de modo que não faria sentido insistir na manutencao do arquivamento.
- D)aplica-se a Súmula n.º 524 do STF, pois há novas provas que autorizam a imediata propositura de ação penal.
Incorreta. A Sumula 524 exige novas provas para a ação penal; aqui há noticia de possíveis provas, suficiente para reabrir a apuracao, não para denúncia imediata.
- E)tratando-se de crime de ação penal pública, deverá o Ministério Público, diante das novas provas já alcançadas, determinar ao procurador-geral de justiça que desarquive o IP, a fim de que a autoridade policial reinicie as investigações.
Incorreta. O Ministério Público não determina ao procurador-geral que desarquive; o membro provoca a chefia, que deliberara no âmbito de suas atribuicoes.
Gabarito: A
O arquivamento do inquérito por falta de autoria ou de elementos suficientes não impede novas investigacoes se surgirem noticias concretas de novas provas. Contudo, a reabertura deve observar o controle do Ministério Público e a lógica da Sumula 524 do STF: sem novas provas, não cabe ação penal; com noticia relevante, pode-se provocar o desarquivamento e retomar a apuracao antes de denunciar.