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Direito Processual Penal · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

A respeito da aplicação dos princípios norteadores do processo penal na ação penal, assinale a opção correta.

Gabarito: D

Na ação penal, os princípios ajudam a entender quem pode agir, quando pode agir e até o quanto esse protagonismo pode ser flexibilizado. Na ação penal pública, a regra é a atuação do Ministério Público, com traço de oficialidade e obrigatoriedade, embora hoje existam mitigações importantes, como o acordo de não persecução penal (art. 28-A do CPP) e outras soluções despenalizadoras previstas em lei. Já na ação penal privada, o ofendido assume a iniciativa e, por isso, entram em cena princípios como disponibilidade e indivisibilidade. Mas a questão aqui não está na ação privada clássica, e sim na ação penal privada subsidiária da pública, que surge quando o MP deixa de oferecer denúncia no prazo legal. Nessa hipótese, a vítima pode apresentar queixa subsidiária, o que funciona como uma exceção à oficialidade, porque a atuação persecutória, que seria do Estado, acaba sendo provocada pelo particular por causa da inércia estatal. Por isso o item D está correto: a ação penal privada subsidiária da pública é, sim, uma exceção ao princípio da oficialidade. A base está no art. 5º, LIX, da Constituição Federal, e no art. 29 do CPP. A doutrina costuma apontar que não se trata de substituir o MP, mas de permitir a atuação supletiva do ofendido quando o titular da ação pública não age a tempo. Em prova, fique atento: a banca gosta de trocar conceitos de obrigatoriedade, oficialidade, disponibilidade e indivisibilidade como se fossem primos da mesma família, mas cada um tem sua função. Se você separar quem é o titular da ação e em que contexto a iniciativa muda de mãos, a questão fica bem mais tranquila.

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