← Questões de Direito Processual do Trabalho

Direito Processual do Trabalho · FGV · 2014

Questão comentada de Direito Processual do Trabalho

Sandro Vieira ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Trianon Bebidas e Energéticos Ltda. pleiteando o pagamento de horas extras, pois alegou trabalhar de 2ª feira a sábado, das 9h às 19h, com intervalo de uma hora para refeição. Em defesa, a ré negou a jornada descrita na petição inicial, mas não juntou os controles de ponto. Em audiência, ao ser interrogado, o preposto informou que a ré possuía 18 empregados no estabelecimento. Diante da situação retratada, e considerando o entendimento consolidado do TST, assinale a opção correta.

Gabarito: B

Em prova de jornada, o ponto de partida é simples: quem tem a obrigação de documentar o horário e não apresenta os controles entra em terreno pantanoso. Pela lógica do art. 74 da CLT e da Súmula 338 do TST, o empregador com mais de 10 empregados deve manter os registros de jornada, e a falta injustificada desses documentos gera presunção favorável ao trabalhador quanto ao horário alegado na inicial. Aqui, o preposto admitiu que a empresa tinha 18 empregados. Então, pelo entendimento consolidado do TST, ela estava obrigada a controlar a jornada. Como não juntou os cartões de ponto, não cumpriu seu dever probatório. Resultado prático: o ônus da prova é deslocado para a empresa, que precisa afastar a jornada narrada pelo autor com prova convincente. Isso não significa uma "confissão automática" em qualquer hipótese, mas sim uma presunção relativa em favor do empregado. O juiz vai valorar o conjunto probatório, porém a ausência dos controles pesa muito contra a ré, especialmente quando ela tinha obrigação legal de produzi-los. Por isso, a alternativa B é a correta: a empresa suporta o ônus de provar jornada diversa, e, se não conseguir, prevalece a jornada informada na petição inicial para fins de horas extras.

Continue treinando

Questões relacionadas