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Direito Processual do Trabalho · FGV · 2014

Questão comentada de Direito Processual do Trabalho

Pedro, estivador, logo trabalhador avulso, está insatisfeito com os repasses que lhe são feitos pelos trabalhos no Porto de Tubarão. Pretende ajuizar ação em face do operador portuário e do Órgão Gestor de Mão de Obra – OGMO. Como advogado de Pedro, indique a Justiça competente para o processamento e julgamento da demanda a ser proposta.

Gabarito: B

A competência da Justiça do Trabalho hoje é bem ampla: ela alcança não só o vínculo de emprego, mas também as relações de trabalho em geral, inclusive as do trabalhador avulso. Isso está no art. 114, I, da Constituição Federal, que fala em "ações oriundas da relação de trabalho". Então, se o pedido de Pedro envolve repasses feitos em razão do trabalho portuário, o caso entra na órbita trabalhista, ainda que ele não tenha vínculo de emprego com o operador portuário ou com o OGMO. No trabalho avulso, a lógica é diferente da do empregado, mas a tutela jurisdicional continua sendo trabalhista. O art. 643 da CLT também aponta essa direção ao tratar da competência da Justiça do Trabalho para dissídios decorrentes de relações de trabalho, e a jurisprudência consolidou que conflitos envolvendo trabalhador avulso, OGMO e operador portuário são julgados pela Justiça do Trabalho. Ou seja: a ausência de vínculo empregatício não tira o caso da Justiça do Trabalho. O ponto decisivo não é "tem emprego ou não tem emprego?", mas sim "há relação de trabalho portuário?" Se a resposta for sim, a vara trabalhista é o caminho natural. Aqui, Pedro quer discutir valores e repasses ligados ao labor avulso no porto, então a competência é trabalhista. Em prova, esse é um clássico truque da banca: ela mistura trabalhador avulso com ausência de emprego para ver se você cai na Justiça Comum. Mas, em matéria de competência, o rótulo importa menos do que a natureza da relação discutida.

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