João, Juiz de Direito em exercício na 3ª Vara Cível da Comarca de Pato Branco (PR), recebe conclusos para sentença autos de ação indenizatória. Ao analisar o mérito, João verifica que existe tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo que, em tese, seria aplicável ao caso e levaria à improcedência do pedido. Contudo, o magistrado identifica particularidade fática no caso concreto que o diferencia do precedente vinculante, tornando esse último inaplicável. Para não aplicar o precedente, o juiz deve
- A)suspender o processo e suscitar Incidente de Assunção de Competência ao Tribunal em razão da relevância da matéria exclusivamente de direito.
Errada: não é caso automático de incidente de assunção de competência.
- B)julgar o caso conforme o livre convencimento motivado, sendo desnecessário mencionar o julgado do Superior Tribunal de Justiça, pois inaplicável ao caso.
Errada: o juiz deve enfrentar o precedente e justificar a distinção.
- C)aplicar o precedente em razão de sua força obrigatória, deixando para o Superior Tribunal de Justiça, em grau de eventual recurso, a análise da distinção.
Errada: o próprio juiz pode distinguir fundamentadamente o precedente.
- D)demonstrar fundamentadamente na sentença a distinção fática entre o caso sob julgamento e a questão decidida no precedente, justificando a não aplicação.
Correta: exige fundamentação demonstrando a distinção fática.
- E)declarar a inconstitucionalidade incidental do precedente do STJ, afastando sua aplicação por violação ao princípio do livre convencimento.
Errada: precedente do STJ não é afastado por declaração incidental de inconstitucionalidade.
Gabarito: D
Precedentes obrigatórios devem ser observados, mas podem ser afastados por distinguishing. O juiz precisa explicar de modo fundamentado qual particularidade fática ou jurídica torna o precedente inaplicável ao caso.