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Direito Processual Civil · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Civil

O órgão do Ministério Público dotado de atribuição intentou ação em que pleiteava a declaração de nulidade de um determinado casamento. Apreciando a petição inicial, constatou o juiz que o órgão ministerial havia incluído no polo passivo da demanda apenas um dos cônjuges, tendo se omitido quanto ao outro. É correto afirmar, nesse quadro, que:

Gabarito: C

Quando a ação discute a validade do casamento, a decisão mexe com o estado civil dos dois cônjuges. Por isso, não basta chamar apenas um deles para o processo: ambos devem estar no polo passivo, sob pena de a relação processual nascer incompleta. Esse é o típico caso de litisconsórcio passivo necessário. Além disso, o resultado precisa ser igual para os dois cônjuges. Não faria sentido o casamento ser nulo para um e válido para o outro, então a sentença deve ser uniforme para todos os litisconsortes. Aí entra a ideia de litisconsórcio unitário. No CPC, o raciocínio aparece na lógica dos arts. 114 e 116: há necessidade de formação conjunta do polo quando a eficácia da decisão depender da presença de todos os interessados, e a solução do mérito tem de ser idêntica para todos. Em matéria de casamento, isso é praticamente o clássico dos clássicos em prova. Portanto, como o Ministério Público ajuizou a ação contra apenas um dos cônjuges, faltou integrar o outro ao processo. O caso descreve litisconsórcio passivo necessário e unitário, que é exatamente a alternativa C.

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