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Direito Processual Civil · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Civil

Mário, Carlos e Antônio, estudiosos de Direito, debatiam a respeito da aplicação das normas processuais. Mário afirmou que o Código de Processo Civil adota a teoria do isolamento dos atos processuais, de sorte que a norma processual em geral tem aplicação imediata aos processos em curso. Carlos, por sua vez, indicou que o princípio da territorialidade é absoluto, de modo que tratados internacionais não podem excepcionar a aplicação das normas processuais no território nacional. Antônio, por fim, sustentou que o Código de Processo Civil é aplicável de forma supletiva aos processos eleitorais e trabalhistas, porém, em relação aos processos administrativos, tal aplicação foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Tomando o debate acima como premissa, é possível afirmar que

Gabarito: E

A questão mistura três ideias clássicas do CPC: tempo, espaço e integração normativa. No tempo, vale a teoria do isolamento dos atos processuais: a lei nova processual entra em vigor e se aplica de imediato aos processos em curso, respeitando os atos já praticados e as situações consolidadas. Isso está no art. 14 do CPC. Então Mário acertou a lógica geral do tema. No espaço, o princípio da territorialidade existe, mas não é absoluto. A atuação processual segue, em regra, as normas do território nacional, só que tratados internacionais e regras de cooperação jurídica podem criar exceções. Em outras palavras: o processo não vive isolado do mundo, por mais que alguns concurseiros tentem colocar uma redoma nele. Já Antônio tocou num ponto importante do art. 15 do CPC: o Código se aplica de forma supletiva e subsidiária aos processos eleitorais, trabalhistas e administrativos, na ausência de norma específica. O problema é que não procede dizer que essa aplicação aos processos administrativos foi declarada inconstitucional pelo STF. Portanto, a primeira parte da fala dele está correta e a segunda está errada, razão pela qual ele fica apenas parcialmente certo. Assim, o gabarito é a letra E: Mário está totalmente correto, Carlos totalmente errado, e Antônio parcialmente correto. A banca costuma cobrar justamente essa combinação entre regra geral e suas exceções, então o segredo é não transformar princípio em verdade absoluta.

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