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Direito Processual Civil · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Civil

Angelina deseja propor uma ação em face de Márcio, seu ex-marido, para a qual a lei prevê a competência do local de domicílio do réu. Márcio reside em Natal durante a semana. Tem uma casa de praia em Baía Formosa, para onde vai todos os finais de semana, e um sítio em Monte Alegre, onde só passa as férias. Nesse caso, a ação poderá ser proposta em:

Gabarito: E

A regra geral do CPC é simples: a ação deve ser proposta, em regra, no foro do domicílio do réu. Isso aparece no art. 46 do CPC, porque a lógica é proteger o réu contra surpresas e concentrar a demanda onde ele tem sua vida jurídica mais previsível. Mas o Direito gosta de complicar o que parecia fácil: quando a pessoa tem mais de um domicílio, a escolha fica mais ampla. E é exatamente isso que acontece aqui. Pelo art. 71 do Código Civil, se a pessoa natural tiver diversas residências, onde alternadamente viva, qualquer delas pode ser considerada domicílio. Márcio mora em Natal durante a semana, vai a Baía Formosa nos fins de semana e passa férias em Monte Alegre. Ou seja, ele alterna sua presença em mais de uma residência, o que permite reconhecer mais de um domicílio. Na prática, isso faz com que Angelina possa propor a ação em qualquer desses foros. O CPC, no art. 46, §1º, também ajuda: se o réu tiver mais de um domicílio, pode ser demandado em qualquer deles. Então não existe exclusividade de Natal, nem de Baía Formosa, nem de Monte Alegre. Por isso o gabarito é a letra E. Aqui, a banca quer que você junte CPC + Código Civil: foro do domicílio do réu e pluralidade de domicílios quando há várias residências em que a pessoa vive alternadamente. Simples na teoria, traiçoeiro na prova.

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