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Direito Processual Civil · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Civil

Maria ajuizou ação de indenização de danos materiais em face de Joaquim, de quem era divorciada, e de Cláudio, tendo imputado a ambos a responsabilidade civil por terem danificado o seu veículo. Validamente citado, Cláudio apresentou a sua peça contestatória. Quanto a Joaquim, o oficial de justiça incumbido de sua citação obteve a informação de que havia ele falecido, fato que restou comprovado com a ulterior juntada de sua certidão de óbito. Ainda de acordo com a documentação anexada aos autos, Joaquim não deixou bens a inventariar e deixou um filho, André, com 10 anos de idade e também filho de Maria. Nesse contexto, o juiz deverá:

Gabarito: E

Quando a parte morre no curso do processo, o juiz não sai distribuindo extinção como se fosse confete. Primeiro, o CPC manda observar a sucessão processual: a posição do falecido é assumida pelo espólio ou pelos sucessores, conforme o caso, nos termos do art. 110. Se não houver bens a inventariar, isso não impede automaticamente a continuidade da demanda contra o(s) herdeiro(s), dentro dos limites da herança, porque a responsabilidade patrimonial pode recair sobre eles na forma da lei civil e processual. Aqui, Joaquim morreu, não deixou bens e deixou um filho, André. Então a providência correta é habilitar André no polo passivo, para que ele passe a ocupar a posição processual do falecido. Não cabe extinguir o processo só porque uma das partes morreu, nem tratar isso como perda de interesse de agir. O processo deve ser ajustado à nova realidade subjetiva da lide. O detalhe decisivo da questão é que André é absolutamente incapaz, pois tem 10 anos, e ainda por cima sua mãe Maria é a autora da ação. Ou seja, existe conflito de interesses evidente entre a representante legal natural e o representado. Nessas hipóteses, o CPC, art. 72, I, determina a nomeação de curador especial para a defesa do incapaz quando houver colisão de interesses com seu representante. Por isso, a sequência correta é: habilitar André no polo passivo e, em seguida, nomear curador especial para exercer sua defesa. É a resposta E, que combina sucessão processual com proteção da incapacidade. O processo continua, mas com o devido ajuste de personagens e de defesa.

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