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Direito Processual Civil · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Processual Civil

Em ação de cobrança proposta por um correntista em face de uma instituição financeira, com base em um contrato bancário celebrado há vinte anos, entendeu o juízo, por decisão fundamentada, que o ônus da prova da existência do referido contrato deveria ser do réu, diante da maior facilidade deste na obtenção dessa prova. Nesse cenário, é correto afirmar que:

Gabarito: A

No processo civil atual, o ônus da prova não é uma regra engessada de "cada um prova o que lhe convém". O CPC permite a redistribuição do ônus quando houver maior facilidade de uma das partes para produzir a prova, ou maior dificuldade da outra, aplicando a chamada teoria da carga dinâmica da prova. Isso está no art. 373, §1º, do CPC, que autoriza o juiz, por decisão fundamentada, a distribuir o encargo de modo diverso do padrão legal. Foi exatamente isso que aconteceu no caso: como o contrato bancário é antigo e a instituição financeira tem muito mais facilidade para localizar e exibir esse documento, o juiz pode atribuir ao réu o ônus de provar a existência do contrato. A lógica é simples: quem está em melhores condições de provar, prova. Não faz sentido exigir do correntista um documento que, na prática, costuma ficar na guarda do banco. E tem mais um detalhe importante de prova de concurso: essa decisão é impugnável por agravo de instrumento. O CPC prevê expressamente, no art. 1.015, XI, o cabimento desse recurso contra decisões que versam sobre redistribuição do ônus da prova. Então, além de a decisão estar correta no mérito, o meio de impugnação imediata é o agravo. Resumo de prova: distribuição dinâmica do ônus da prova, decisão fundamentada e recurso de agravo de instrumento. A banca costuma cobrar esse trio como se fosse pacote promocional.

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