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Direito Processual Civil · FGV · 2017

Questão comentada de Direito Processual Civil

Em ação judicial na qual Paulo é réu, levantou-se controvérsia acerca de seu domicílio, relevante para a determinação do juízo competente. Paulo alega que seu domicílio é a capital do Estado do Rio de Janeiro, mas o autor sustenta que não há provas de manifestação de vontade de Paulo no sentido de fixar seu domicílio naquela cidade. Sobre o papel da vontade nesse caso, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Aqui a palavra-chave é domicílio civil. Pelo Código Civil, domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece sua residência com ânimo definitivo (art. 70). Repare no detalhe que costuma cair em prova: não basta estar fisicamente no local por um tempo qualquer, nem precisa haver um “contrato” ou declaração formal de vontade. O que importa é a intenção de permanecer, esse tal ânimo de fixar-se ali. Por isso, a vontade entra na análise, mas de forma limitada. No domicílio, a lei já predetermina os efeitos jurídicos, então não estamos diante de negócio jurídico, em que a vontade modela livremente os efeitos. Também não é caso de fato jurídico em sentido estrito, porque há comportamento humano relevante. O enquadramento mais adequado é o de ato jurídico em sentido estrito: existe conduta humana, os efeitos vêm da lei e a vontade serve para revelar o elemento interno de fixação da residência. No caso da questão, a controvérsia não é “se Paulo quis produzir efeitos jurídicos”, mas se havia ânimo de permanecer na capital do Rio de Janeiro. É exatamente esse ponto que deve ser investigado para definir o domicílio e, por consequência, o juízo competente. Então, o gabarito está correto porque, em matéria de domicílio, a vontade não cria livremente efeitos, mas é juridicamente relevante para demonstrar a intenção de permanência. Em outras palavras: a lei manda o filme, mas a vontade ajuda a mostrar quem é o personagem principal.

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