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Direito Processual Civil · FGV · 2016

Questão comentada de Direito Processual Civil

No decorrer da tramitação de uma ação, em que se discutiam as declarações de última vontade contidas em um testamento, foi alegada, pela parte interessada, a ausência de intervenção obrigatória do Ministério Público, requerendo, como consequência, a anulação de todo o procedimento. Com base no CPC/15, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

No CPC/15, a intervenção do Ministério Público não acontece por esporte processual. Ela só é obrigatória nas hipóteses previstas em lei, como quando há interesse público ou social, interesse de incapaz e litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana, nos termos do art. 178 do CPC. Então, não basta o processo envolver testamento para, automaticamente, exigir a presença do parquet em todo e qualquer caso. Em matéria de disposições de última vontade, o ponto central é verificar se realmente existe uma hipótese legal de intervenção obrigatória. Se o caso concreto não revelar interesse público, social ou outra situação legalmente prevista, não há nulidade pela simples ausência do MP. O juiz não precisa chamar o Ministério Público só porque a ação tem cheiro de sucessão. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela acerta ao dizer que a obrigatoriedade não é automática e que cabe ao Ministério Público avaliar se há interesse que justifique sua atuação como fiscal da ordem jurídica. Em outras palavras: o tema não é "testamento = MP obrigatório", e sim "há ou não hipótese legal de intervenção?". Se a intervenção fosse realmente obrigatória e tivesse sido suprimida, aí sim poderia haver nulidade, com base no art. 279 do CPC. Mas, nesta questão, a premissa de obrigatoriedade geral está errada.

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