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Direito Processual Civil · FGV · 2014

Questão comentada de Direito Processual Civil

Juliana e Marcos são casados sob o regime da comunhão parcial de bens. Entretanto, tornada impossível a vida em comum e diante da existência de filhos menores do casal, ingressam com ação de divórcio perante a Vara de Família e Sucessões competente para a apreciação do litígio. No curso da demanda judicial, um dos cônjuges vem a falecer. Considerando a hipótese narrada, assinale a opção correta.

Gabarito: A

A ação de divórcio tem natureza personalíssima: ela depende da vontade dos cônjuges e só faz sentido enquanto ambos estiverem vivos. Se um deles morre no curso do processo, o casamento já se desfez pela morte, e não há como "substituir" a parte falecida por herdeiros para continuar pedindo divórcio. Em outras palavras, os herdeiros não herdam o direito de se divorciar de ninguém, porque isso não existe no pacote sucessório. Por isso, a consequência é a extinção do processo sem resolução do mérito, por perda superveniente do objeto e ausência de interesse processual útil. No CPC/1973, a ideia aparecia no art. 267; no CPC/2015, a lógica está no art. 485, VI e IX, conforme o enquadramento do caso concreto. A jurisprudência do STJ também segue essa linha: falecido um dos cônjuges no curso da ação de divórcio, o processo perde seu objeto, já que a dissolução do vínculo matrimonial decorre automaticamente do óbito. Não há sucessão processual para prosseguir com a ação, porque o direito discutido é personalíssimo. Então, a alternativa A está correta porque a morte de um dos cônjuges torna inviável a continuidade da ação de divórcio, impondo a extinção sem julgamento do mérito. O processo não pode continuar como se ainda houvesse casamento a dissolver.

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