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Direito Processual Civil · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Processual Civil

Analise as afirmativas a seguir. I. A competência dos juízes ou tribunais sofre limitações territoriais. Nesse sentido, os magistrados só têm autoridade nos limites territoriais do Estado em que houverem sido investidos. Cada juiz só exerce sua autoridade nos limites do território sujeito por lei à sua jurisdição. II. A fixação e o dimensionamento das multas por descumprimento de liminares ou decisões relativas a obrigações de fazer ou de não-fazer são exemplos de manifestação de jurisdição de equidade, admitida no direito processual civil brasileiro, nos casos previstos em lei. III. Dentre as causas de prorrogação da competência, tem- -se que a prorrogação voluntária da competência ocorre em virtude de acordo expresso formulado pelas partes após a instauração do processo. IV. Na concepção de Enrico Tullio Liebman, a ação pode ser entendida como o direito a uma sentença de mérito, seja ela favorável ou desfavorável ao autor. Nessa concepção, há um destaque especial às condições da ação, também presente no atual Código de Processo Civil. Está correto o que se afirma apenas em

Gabarito: D

A questão mistura três temas clássicos: competência territorial, tutela jurisdicional adequada e teoria da ação. A ideia central é simples: nem todo juiz pode agir em qualquer lugar, a competência tem limites legais e territoriais, e isso aparece no CPC quando se fala em jurisdição exercida dentro da área de atuação do órgão judicial. Por isso, a afirmativa I está correta na lógica cobrada pela banca. Na afirmativa II, a banca puxou as astreintes, isto é, a multa diária ou periódica usada para forçar o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. O juiz pode fixar e ajustar esse valor conforme o caso concreto, o que revela uma atuação voltada à adequação e efetividade da tutela jurisdicional, compatível com a chamada jurisdição de equidade nos casos autorizados em lei. O CPC admite isso, especialmente nos arts. 536 e 537. A afirmativa III erra ao tratar a prorrogação voluntária da competência como se dependesse de acordo expresso depois que o processo já começou. Na prática, a prorrogação voluntária decorre da ausência de alegação tempestiva de incompetência relativa ou de eleição de foro em hipóteses legais, e não dessa formulação que a questão trouxe. Aqui a banca quis confundir acordo processual com disciplina de competência relativa. Já a afirmativa IV está alinhada à doutrina de Enrico Tullio Liebman, que concebe a ação como direito a uma sentença de mérito, favorável ou desfavorável. O CPC de 2015 preserva a lógica das condições da ação ao exigir legitimidade e interesse processual, especialmente no art. 17. Portanto, o gabarito D está correto porque apenas I, II e IV se sustentam.

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