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Direito Processual Civil · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Processual Civil

João, assistido pela defensoria pública, ingressou em juízo com uma ação de investigação de paternidade em face de Pedro, que constituiu advogado particular, mas, em decorrência da sua condição de hipossuficiência, requereu a gratuidade de justiça, tendo o juízo da causa lhe deferido o pedido. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.

Gabarito: B

A questão mistura duas coisas que muita gente confunde: gratuidade de justiça e prerrogativas processuais da Defensoria Pública. A gratuidade, prevista no CPC, só dispensa o pagamento de despesas e custas processuais, mas não cria prazo em dobro nem intimação pessoal. Ou seja, ter justiça gratuita não transforma advogado particular em defensor público com superpoderes processuais. Já a Defensoria Pública tem prerrogativas próprias: intimação pessoal e prazo em dobro para todas as suas manifestações, nos termos do art. 186 do CPC e da LC 80/1994. Por isso, no caso narrado, João, por estar assistido pela Defensoria, conta com essas prerrogativas. Pedro, embora tenha obtido a gratuidade de justiça, está representado por advogado particular. Então ele continua no regime normal do CPC: seus prazos são simples e a intimação segue a regra comum. A condição econômica dele não altera isso. Assim, o gabarito é a letra B: apenas João possui a prerrogativa de intimação pessoal do defensor e prazo em dobro. A jurisprudência do STJ é pacífica nesse sentido: gratuidade de justiça não se confunde com prerrogativas institucionais da Defensoria.

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