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Direito Internacional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Internacional

Tanto a invasão do Iraque pelas forças militares estadunidenses (2003) quanto a agressão da Rússia à soberania da Ucrânia (2022) tiveram grandes impactos para o Direito Internacional Público (DIP) e para o próprio Sistema de Governança Global da Organização das Nações Unidas (ONU). Diante de tais considerações fáticas, é correto afirmar que

Gabarito: E

O Direito Internacional contemporâneo parte de uma regra central: o uso da força entre Estados é, em princípio, proibido. A Carta da ONU, no art. 2(4), veda a ameaça ou o emprego da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. As exceções clássicas são a legítima defesa, individual ou coletiva, no art. 51, e a autorização do Conselho de Segurança, quando há ameaça à paz, ruptura da paz ou ato de agressão, nos termos do Capítulo VII. Isso significa que não basta uma coalizão de países querer intervir, nem a aprovação da Assembleia Geral resolve o problema. A Assembleia pode recomendar, mas não autoriza uso da força como o Conselho de Segurança. E no Conselho, para decisões substanciais, a regra é: 9 votos favoráveis e ausência de veto dos cinco membros permanentes. Se um deles vetar, a autorização não sai do papel. No caso do Iraque em 2003, a chamada coalizão liderada pelos EUA não substituiu a autorização válida do Conselho de Segurança. No caso da Ucrânia em 2022, a agressão russa também afrontou a Carta da ONU e o princípio da proibição do uso da força. Em ambos os episódios, faltou base legítima no sistema coletivo de segurança. Por isso o gabarito está na letra E: as duas ações contrariaram a Carta da ONU porque não houve a aprovação exigida no Conselho de Segurança, com os votos necessários e sem veto dos membros permanentes. Em matéria de paz e segurança internacional, voto, veto e competência não são detalhes burocráticos, são o coração do sistema.

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