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Direito Internacional · FGV · 2012

Questão comentada de Direito Internacional

José, de nacionalidade brasileira, era casado com Maria, de nacionalidade sueca, encontrando-se o casal domiciliado no Brasil. Durante a viagem de “lua de mel”, na França, Maria, após o jantar, veio a falecer, em razão de uma intoxicação alimentar. Maria, quando ainda era noiva de José, havia realizado testamento em Londres, dispondo sobre os seus bens, entre eles dois imóveis situados no Rio de Janeiro. À luz das regras de Direito Internacional Privado, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A questão mistura três ideias clássicas de Direito Internacional Privado: competência da autoridade brasileira, lei aplicável ao testamento e lei aplicável à sucessão. Primeiro, a morte ter ocorrido na França não tira, por si só, a competência da Justiça brasileira para inventário e partilha, já que existem bens no Brasil, e a competência aqui costuma ser definida pela presença de bens situados em território nacional. Segundo, quando o debate é sobre a validade formal de testamento feito no exterior, entra a regra de conexão da LINDB: a forma do ato segue a lei do local em que ele foi celebrado. É o velho princípio locus regit actum, muito querido pelas bancas. No caso, Maria fez testamento em Londres. Então, se a discussão for sobre as formalidades do testamento, a lei aplicável é a inglesa, e não a brasileira. Isso ocorre porque a validade formal do ato de última vontade é examinada pela lei do lugar da celebração, preservando a forma que o ordenamento local considerou suficiente. Já a alternativa que puxa para a nacionalidade sueca tenta confundir você com a sucessão em si. Em regra, a sucessão e a capacidade de suceder são tratadas pela lei do domicílio do falecido, conforme a LINDB, e não pela nacionalidade. Como o casal estava domiciliado no Brasil, a lógica aponta para a lei brasileira, e não para a sueca. Por isso, o gabarito é a letra B: a discussão sobre a validade formal do testamento deve ser resolvida pela legislação inglesa, porque foi em Londres que Maria realizou o ato de disposição de última vontade.

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