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Direito Internacional · FGV · 2011

Questão comentada de Direito Internacional

Em janeiro de 2003, Martin e Clarisse Green, cidadãos britânicos domiciliados no Rio de Janeiro, casam-se no Consulado-Geral britânico, localizado na Praia do Flamengo. Em meados de 2010, decidem se divorciar. Na ausência de um pacto antenupcial, Clarisse requer, em petição à Vara de Família do Rio de Janeiro, metade dos bens adquiridos pelo casal desde a celebração do matrimônio, alegando que o regime legal vigente no Brasil é o da comunhão parcial de bens. Martin, no entanto, contesta a pretensão de Clarisse, argumentando que o casamento foi realizado no consulado britânico e que, portanto, deve ser aplicado o regime legal de bens vigente no Reino Unido, que lhe é mais favorável. Com base no caso hipotético acima e nos termos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, assinale a alternativa correta.

Gabarito: B

Aqui a chave da questão está em separar duas coisas que muita gente mistura: a forma da celebração do casamento e o regime de bens. O fato de o casamento ter sido realizado no consulado britânico não manda, por si só, na regra patrimonial do casal. Para o regime de bens, a LINDB traz uma regra bem direta no art. 7º, §4º: vale a lei do país em que os nubentes tiverem domicílio, e, se forem de domicílios diferentes, a do primeiro domicílio conjugal. No caso, Martin e Clarisse eram cidadãos britânicos, mas estavam domiciliados no Rio de Janeiro quando se casaram. Então o ponto de conexão relevante é o domicílio, e não o local físico da cerimônia. Resultado prático: aplica-se a lei brasileira ao regime de bens, salvo pacto antenupcial em sentido diverso, que nem existe no enunciado. Por isso, a pretensão de Clarisse faz sentido. Se o regime legal aplicável é o brasileiro, entra em cena a comunhão parcial de bens, que é justamente o regime legal supletivo no Brasil. Em outras palavras: sem pacto antenupcial, o padrão brasileiro vale e cada um divide o que foi adquirido onerosamente durante o casamento. A FGV adora essa pegadinha: ela joga o consulado, o país de nacionalidade e a lei estrangeira para ver se você esquece o elemento de conexão correto. Mas em regime de bens, a pista que manda é o domicílio dos nubentes, não a bandeira tremulando no prédio consular.

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