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Direito Financeiro · FURB · 2023

Questão comentada de Direito Financeiro

A Constituição Federal de 1988 instituiu a chamada repartição tributária, em que um ente é o responsável pela arrecadação de determinado tributo, mas tem a obrigação de repartir essa arrecadação com outro ente. Nesse contexto, o Estado de Santa Catarina é o responsável pela arrecadação do Imposto sobre as operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) mas tem que repartir 25% dessa arrecadação com os municípios, que por sua vez reconhecerão esse ingresso como:

Gabarito: E

A ideia central aqui é simples: quem arrecada nem sempre fica com tudo. Na repartição tributária, a Constituição manda que parte da arrecadação de um tributo seja transferida a outro ente federativo. No caso do ICMS, o art. 158, IV, da CF/88 determina que 25% do produto da arrecadação pertencem aos municípios, e essa entrada entra no caixa municipal como receita orçamentária. Por que isso importa? Porque o município não está recebendo esse valor como devolução de gasto, nem como dinheiro de terceiros a guardar. Ele está incorporando recursos ao seu orçamento, com natureza de ingresso definitivo. Por isso, não é receita extraorçamentária. Agora vem o ponto-chave: essa parcela do ICMS é classificada, para o município, como transferência corrente. Em linguagem de concurso, trata-se de receita orçamentária proveniente de transferências intergovernamentais correntes, porque decorre de repartição constitucional de receita tributária, e não de operação de capital. A doutrina de direito financeiro costuma tratar essas parcelas como transferências correntes por serem ingressos destinados ao custeio das atividades públicas, sem formação de capital. Então, o gabarito está correto porque o município reconhece os 25% do ICMS como receita orçamentária, na espécie transferências correntes. É o tipo clássico de questão em que a banca testa se você sabe separar receita orçamentária de extraorçamentária e se lembra da classificação da Lei 4.320/1964 e da Constituição.

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