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Direito Financeiro · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Financeiro

Em seu primeiro ano de mandato, o prefeito municipal definiu algumas orientações para a equipe de planejamento orçamentário do Município. Um dessas orientações tinha o objetivo de dar maior transparência aos atos de gestão e previa que a Lei Orçamentária deveria conter as diretrizes para acompanhamento, controle e prestação de contas ao final do exercício financeiro seguinte. Essa orientação do prefeito municipal está em desacordo com o princípio da:

Gabarito: B

O ponto central aqui é o princípio da exclusividade, previsto no art. 165, § 8º, da Constituição: a Lei Orçamentária Anual não deve virar um “pacote completo” de tudo que o governo quer fazer. Em regra, a LOA deve tratar apenas de previsão de receita e fixação de despesa, sem misturar matéria estranha, salvo autorizações específicas previstas no próprio texto constitucional, como abertura de crédito suplementar e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita. A orientação do prefeito queria colocar na LOA diretrizes para acompanhamento, controle e prestação de contas ao final do exercício. Isso já é conteúdo típico de outra peça normativa, não da lei orçamentária em si. Ou seja, a ideia de dar mais transparência é boa, mas o instrumento escolhido está errado. A LOA não pode ser usada como um “balcão de tudo”, porque isso enfraquece a clareza e a função estritamente orçamentária da lei. Por isso, a orientação está em desacordo com o princípio da exclusividade. Esse princípio protege a separação entre orçamento e matérias estranhas, evitando surpresas legislativas e garantindo que o Parlamento e a sociedade saibam exatamente o que está sendo autorizado na peça orçamentária. Em prova, sempre desconfie quando a LOA vier com conteúdo de gestão, controle, planejamento ou prestação de contas como regra geral.

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