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Direito Financeiro · FGV · 2017

Questão comentada de Direito Financeiro

As contas do Município Alfa referentes ao exercício financeiro de 2014, apresentadas pelo prefeito em 2015, receberam parecer desfavorável do Tribunal de Contas do referido Município, o qual foi criado antes da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O Presidente da Câmara, após o regular trâmite interno, editou resolução e aprovou as referidas contas públicas municipais, uma vez que as demonstrações contábeis de exercícios financeiros anteriores deveriam ter sido analisadas em consonância com o plano plurianual. Diante da narrativa exposta, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

Aqui está o ponto central: as contas do prefeito não são julgadas pelo Tribunal de Contas. No caso do Município, o Tribunal de Contas emite parecer prévio, e quem julga de fato é a Câmara Municipal, nos termos do art. 31, 1º, da Constituição. Esse parecer é importante, mas não engessa o Legislativo local de forma absoluta. E onde mora a pegadinha? Se o Tribunal de Contas opinou pela rejeição, a Câmara até pode afastar esse parecer, mas precisa de decisão de 2/3 dos vereadores. Ou seja, não basta vontade do Presidente da Câmara, nem uma resolução solitária com ar de solução mágica. A regra foi pensada justamente para dar peso técnico ao controle externo, sem retirar a palavra final do Legislativo. O gabarito B está correto porque reflete exatamente o modelo constitucional: parecer prévio do Tribunal de Contas sobre as contas do prefeito só deixa de prevalecer por decisão qualificada de dois terços dos membros da Câmara Municipal. Essa é a lógica consolidada no art. 31, 1º, da CF e também na jurisprudência do STF, que reconhece que o julgamento político-administrativo das contas do chefe do Executivo municipal cabe ao Legislativo, com apoio técnico do controle externo. As demais alternativas tentam confundir você misturando natureza jurídica do Tribunal de Contas, competência para julgamento e até uma ideia de periodicidade quinquenal que simplesmente não existe para contas anuais de governo. Em prova, quando aparecer conta de prefeito, pense: parecer do Tribunal de Contas, julgamento pela Câmara, quórum de 2/3 para derrubar o parecer.

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