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Direito Financeiro · CONSULPAM · 2023

Questão comentada de Direito Financeiro

Uma das poucas regras fiscais constantes do texto permanente da Constituição de 1988, a regra de ouro foi, durante décadas, cumprida sem gerar maiores debates acerca de seu resultado e de seu impacto sobre as finanças públicas. A respeito desse assunto, assinale a alternativa CORRETA:

Gabarito: B

A chamada regra de ouro está no art. 167, III, da Constituição Federal: em linhas simples, o Estado não pode se endividar mais do que o necessário para cobrir as despesas de capital. A lógica é impedir que a dívida publique banque gasto do dia a dia, como folha, custeio e outras despesas correntes. Esse tipo de gasto deve ser pago, em regra, com receitas correntes, e não com novo empréstimo. Quando a Constituição fala em despesas de capital, ela inclui investimentos, inversões financeiras e também amortização da dívida. Por isso, a regra funciona como um freio: se o governo quiser pegar crédito, isso deve estar ligado a algo que gere patrimônio, capacidade produtiva ou ajuste da estrutura da dívida. A ideia é bem próxima do senso comum: não faz muito sentido comprar pão da semana no cartão de parcelamento eterno. A alternativa B está correta porque resume exatamente essa lógica: o endividamento público é vedado para despesas correntes, sendo admitido para financiar investimentos. Em prova, guarde o núcleo da regra: operação de crédito não pode superar despesa de capital. A redação constitucional é a chave do assunto, e a banca costuma cobrar esse detalhe com pequenas trocas de palavras. Vale lembrar que a regra de ouro é uma das poucas regras fiscais expressas diretamente no texto permanente da Constituição, ao lado de outras limitações orçamentárias. Ela conversa com a responsabilidade fiscal e com a ideia de evitar que uma geração pague a conta de gastos correntes feitos por outra.

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