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Direito Financeiro · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Financeiro

Nos primeiros anos de aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, houve uma profunda alteração no quadro federativo e fiscal, passando os governos subnacionais de uma postura quase secular de fraca disciplina fiscal para uma postura austera, até em grau superior ao federal. Mais recentemente, com a crise financeira global, apesar de todos os governos sofrerem seus efeitos, os estados e municípios nunca haviam registrado uma situação tão favorável relativamente às contas do governo federal quanto no final de 2009, especialmente em torno dos fluxos fiscais. José Roberto Afonso, Guilherme Luís Pinto de Carvalho e Kleber Pacheco de Castro. Desempenho comparado dos principais governos brasileiros depois de dez anos da LRF. In: Revista Técnica dos Tribunais de Contas. Instituto Rui Barbosa, set./2010 (com adaptações). Considerando esse efeito causado nas finanças dos estados e municípios na primeira década de aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, assinale a opção correta.

Gabarito: C

A LRF apertou o cinto das transferências voluntárias para evitar que dinheiro público saia de um ente para outro sem responsabilidade fiscal. Em regra, para receber transferências voluntárias, o ente federativo precisa demonstrar que está cumprindo uma série de exigências da própria LRF, e não apenas “estar com boa vontade”. No caso da questão, o ponto central está no art. 25 da LC nº 101/2000. Ele condiciona as transferências voluntárias da União aos estados e municípios ao cumprimento, pelo ente beneficiário, dos limites relativos à dívida consolidada e mobiliária, às operações de crédito, inclusive por antecipação de receita orçamentária, à inscrição em restos a pagar e à despesa total com pessoal. É exatamente isso que a alternativa C descreve. Perceba a lógica: quem quer receber recursos voluntários precisa provar que está em dia com a disciplina fiscal. A LRF funciona como um “pedágio de responsabilidade”, evitando que um ente premia outro que esteja desarrumado nas contas. Por isso o gabarito é C. As outras alternativas misturam sujeito, direção da transferência e até fundamentos legais de outros diplomas, criando a clássica armadilha de prova: trocar o regime das transferências voluntárias por regras que não têm esse conteúdo específico.

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