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Direito Empresarial · MPE-SP · 2022

Questão comentada de Direito Empresarial

Debêntures, títulos representativos de um contrato de mútuo entre a companhia e pessoas indeterminadas, são valores mobiliários que conferem aos investidores (mutuantes) o direito de crédito perante a sociedade anônima (mutuária), nas condições constantes do certificado, se houver, e da escritura de emissão, podendo sua emissão ser pública ou privada. Nas emissões de debêntures destinadas ao mercado de capital, é obrigatória a figura do agente fiduciário, para representar a comunhão de interesses dos debenturistas. A respeito do agente fiduciário, é correto afirmar que

Gabarito: C

Debênture é, em resumo, um empréstimo feito pelos investidores à companhia. Como há uma massa de credores espalhada pelo mercado, a lei cria o agente fiduciário para funcionar como uma espécie de porta-voz técnico dos debenturistas, evitando que cada um tenha de correr sozinho atrás do prejuízo. A ideia está na Lei 6.404/1976, especialmente nos arts. 66 a 71. O ponto central da questão é que o agente fiduciário tem dever legal de proteger os direitos e interesses dos debenturistas com diligência, além de poder adotar medidas como declarar o vencimento antecipado, promover a execução do principal e dos juros e excutir garantias. Se não houver outro meio para satisfação do crédito, ele pode até pedir a falência da companhia emissora. Isso está alinhado com o art. 68 da Lei das S.A. A alternativa C acerta também ao dizer que, na falência, recuperação judicial ou liquidação extrajudicial da companhia, o agente fiduciário representa os debenturistas, salvo deliberação em contrário da assembleia. Ou seja: ele é a linha de frente, mas a assembleia ainda pode mandar no jogo quando quiser. A banca costuma cobrar justamente essa combinação entre poderes do agente e papel residual da assembleia. Outro detalhe importante: o agente fiduciário pode ser pessoa natural que cumpra os requisitos legais ou instituição financeira autorizada, e não é escolhido pela companhia nem pela CVM. A escritura de emissão e a lei fixam suas atribuições, e cláusulas que esvaziem sua responsabilidade tendem a ser desconsideradas.

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