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Direito Empresarial · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Empresarial

No curso da execução fiscal em face de Desentupidora Águas Lindas Ltda. que tramita na Justiça Federal, foi decretada a falência pelo Juízo da Vara Única de Forte/GO. Em relação às competências do juízo estadual da falência e do juízo federal da execução fiscal, previstas na Lei nº 11.101/2005, é correto afirmar que competirá ao juízo:

Gabarito: B

Na falência, existe a ideia de juízo universal: o juízo falimentar concentra as decisões sobre a massa falida, a arrecadação dos bens, a realização do ativo e a classificação dos créditos. Isso evita aquela bagunça de cada credor correr para um lado diferente e o patrimônio sumir em pedaços. A lógica está na Lei 11.101/2005, especialmente no art. 76 e no art. 7º, quando trata da verificação e classificação dos créditos. Mas a execução fiscal tem tratamento especial. Pelo art. 6º, §7º, da Lei 11.101/2005, ela não se suspende com a falência, e o juízo da execução fiscal continua competente para examinar a existência, a exigibilidade e o valor do crédito tributário. Em outras palavras: o juízo falimentar não “reza” sobre o crédito fiscal como se ele estivesse na fila comum dos credores. Além disso, a própria Lei de Falências preserva a possibilidade de prosseguimento da cobrança contra corresponsáveis, porque a falência da empresa não apaga automaticamente a responsabilidade de terceiros que respondam pelo débito. Isso também aparece na lógica do art. 6º, §7º, e na jurisprudência do STJ, que reconhece a permanência da execução fiscal nesses limites. Por isso, o gabarito é a letra B: o juízo da execução fiscal decide sobre a existência, a exigibilidade, o valor do crédito e sobre o eventual prosseguimento da cobrança contra os corresponsáveis. Já o juízo falimentar fica com a parte coletiva da falência, como arrecadação, administração e classificação dos créditos no concurso geral.

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