Tício, no período de inscrição eleitoral em recente eleição, fraudulentamente, apresentou à Justiça Eleitoral informações para subsidiar pedido de alteração de seu domicílio eleitoral, juntando, para tanto, declaração firmada por seu amigo, Caio, na qual afirmou estarem residindo juntos no Município Alfa, o que não é verdade. O pedido de transferência foi deferido, expedindo-se o título de eleitor. Considerando a legislação em vigor e o posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral, é correto afirmar que:
- A)caso comprovada a fraude na inscrição eleitoral descrita, Caio responderá como coautor de Tício, na forma do Art. 289 do Código Eleitoral;
Incorreta: terceiro que auxilia responde como partícipe, não coautor de crime de mão própria.
- B)na hipótese acima descrita, caso constatado o delito eleitoral antes do deferimento da transferência, não sendo expedido o título de eleitor, Tício responderá por tentativa de fraude;
Incorreta: o crime formal não depende da expedição do título para consumação.
- C)para o aperfeiçoamento da configuração do crime de inscrição fraudulenta de eleitor, a aquisição da capacidade eleitoral ativa não é condição indispensável;
Correta: a aquisição da capacidade eleitoral ativa não é indispensável.
- D)para a imputação do crime de inscrição fraudulenta de eleitor, exige-se a comprovação de dolo específico de efetuar inscrição ou transferência com fraude;
Incorreta: basta dolo genérico, não dolo específico.
- E)ocorrendo inscrição fraudulenta de eleitor e a prática de falsidade ideológica eleitoral, há consunção, aplicando-se, apenas, o Art. 289 do Código Eleitoral.
Incorreta: a relação com falsidade não gera, necessariamente, consunção ampla nesses termos.
Gabarito: C
O crime de inscrição fraudulenta de eleitor é formal e não exige aquisição efetiva da capacidade eleitoral ativa; basta a conduta consciente com fraude para inscrição ou transferência eleitoral.