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Direito Economico e Regulacao · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Economico e Regulacao

João pretende aproveitar o potencial de energia hidráulica, de caráter renovável, obtido a partir da movimentação da água, o que ocorreria no âmbito do seu sítio, situado na zona rural do Estado Alfa. Após fazer os cálculos necessários para o investimento e aferir a energia a ser obtida, João constatou que esse potencial tinha capacidade reduzida, mas mesmo assim seria útil aos seus propósitos. Cioso de suas obrigações e com o objetivo de realizar o referido aproveitamento com estrita observância da legalidade, João consultou o seu advogado a respeito do projeto. O advogado respondeu, corretamente, que o aproveitamento almejado:

Gabarito: D

A energia hidráulica é um caso clássico da Constituição Econômica: a União é proprietária dos potenciais de energia hidráulica, mas isso não significa que todo e qualquer aproveitamento precise, automaticamente, de concessão ou autorização. A regra constitucional do art. 176 é a de submissão ao regime jurídico do setor elétrico, mas a lei pode modular a forma de exploração conforme a potência e a finalidade do empreendimento. No caso da questão, o dado decisivo é justamente a capacidade reduzida do potencial. Para aproveitamentos de pequeno porte, a disciplina infraconstitucional admite tratamento mais simples, com dispensa de autorização ou concessão da União, o que evita burocracia desnecessária para uma atividade de menor impacto econômico e regulatório. Em concurso, esse detalhe costuma ser o coração da pegadinha. Por isso, a alternativa D está correta: não basta dizer que há energia hidráulica para concluir que sempre haverá outorga estatal. O que manda é a dimensão do aproveitamento e o regime legal aplicável. Em outras palavras, nem toda cachoeira vira um processo administrativo gigante, ainda mais quando o próprio ordenamento permite simplificação para pequenos potenciais. As demais alternativas erram ao tratar a concessão ou a autorização como regra absoluta, ou ao negar qualquer controle por ocorrer dentro da propriedade privada. A Constituição separa a propriedade do solo da titularidade do potencial energético, então a localização no sítio de João não afasta, por si só, a incidência do regime público.

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