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Direito da Crianca e do Adolescente · VUNESP · 2022

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

A despeito da enunciada mudança de paradigma proclamada pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), ainda se coloca um longo percurso para o alinhamento garantista previsto. Há um lapso que distancia as conquistas legais dos aparatos institucionais. Embora seja possível perceber avanços no corpo normativo/legal e organizacional, no que se refere ao atendimento ao adolescente em conflito com a lei, pode-se afirmar que sobressai

Gabarito: B

O ECA mudou a forma de olhar a criança e o adolescente: sai a ideia de “menor” como objeto de tutela e entra a lógica de sujeito de direitos, com proteção integral e prioridade absoluta. Isso vale também para o adolescente em conflito com a lei, que não deve ser tratado com lógica meramente repressiva, mas dentro de um sistema socioeducativo voltado à responsabilização com garantias. Na teoria, o Estatuto é moderno e garantista. Na prática, porém, muitas vezes o atendimento ainda repete velhos padrões: resposta punitiva, estigmatização, falta de estrutura e atuação institucional bem distante do que a lei promete. É exatamente esse descompasso que o enunciado cobra. Por isso o gabarito é a letra B. A questão aponta que, apesar dos avanços normativos e organizacionais, no atendimento ao adolescente em conflito com a lei, ainda sobressai a reedição de práticas já superadas, isto é, a velha lógica do controle e da punição reaparecendo com roupa nova. Em linguagem de prova: o discurso é de proteção integral, mas a execução ainda escorrega para o modelo anterior. Como base legal, vale lembrar o art. 227 da Constituição Federal e o art. 1º do ECA, que consagram a proteção integral e a prioridade absoluta. O SINASE também reforça a natureza pedagógica e garantista das medidas socioeducativas, mas a realidade institucional nem sempre acompanha esse desenho.

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