Sobre o princípio da prevalência familiar, que rege a aplicação das medidas socioeducativas descritas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é correto afirmar que:
- A)A prevalência familiar indica que na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente não deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa.
Errada, porque inverte o princípio: a prevalência é justamente a favor das medidas que mantenham ou reintegrem a criança e o adolescente à família natural ou extensa.
- B)A prevalência familiar indica que na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem à sociedade.
Errada, porque o foco do princípio não é apenas reintegrar à sociedade de forma abstrata, mas priorizar o vínculo familiar.
- C)A prevalência familiar indica que na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa.
Certa, porque expressa corretamente que deve haver prevalência das medidas que mantenham ou reintegrem a criança e o adolescente na família natural ou extensa.
- D)A prevalência familiar indica que na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem à sociedade e ao ambiente escolar.
Errada, porque inclui sociedade e ambiente escolar, mas o princípio cobrado se refere à centralidade da família, não a esses dois elementos como formulação principal.
Gabarito: C
O chamado princípio da prevalência familiar, no ECA, parte da ideia de que a criança e o adolescente devem ser protegidos sem romper, sem necessidade, os vínculos com sua família. A regra é simples: antes de pensar em afastamento definitivo, o sistema deve priorizar medidas que mantenham ou recomponham esse convívio familiar. Isso aparece de forma muito clara no Estatuto, especialmente na lógica de proteção integral e no direito à convivência familiar e comunitária. Na prática, a família natural é a primeira referência, e a família extensa também pode ser considerada quando isso for melhor para o interesse da criança ou do adolescente. O objetivo não é jogar o menor para longe da família, mas fortalecer sua rede de cuidado. É por isso que a banca gosta de trocar a ordem das palavras: se a frase falar em priorizar a reintegração à sociedade de modo genérico, já desconfie. O gabarito é a letra C porque ela reproduz exatamente essa lógica: na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente, deve haver prevalência das medidas que os mantenham ou reintegrem na família natural ou extensa. Essa ideia conversa diretamente com o art. 100 do ECA, que traz os princípios da intervenção, e com a diretriz da convivência familiar como eixo central da proteção. Em outras palavras: primeiro a família, depois o resto do plano. Então, quando aparecer esse tema, lembre: o ECA não trata a família como obstáculo, mas como ponto de partida. A intervenção estatal deve ser o mínimo necessário e sempre com foco em preservar ou reconstruir os vínculos familiares, quando possível e adequado ao caso.