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Direito da Crianca e do Adolescente · QUADRIX · 2022

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

A Constituição Federal de 1988 garante, em seu artigo 227, uma série de direitos da criança e do adolescente, que serão regulamentados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que foi promulgado no ano de 1990, enfatizando que esses direitos devem ser garantidos pelo Estado, pela Sociedade e pela Família. Com relação aos deveres do Estado, da Sociedade e da Família para que os direitos da criança e do adolescente sejam salvaguardados, assinale a alternativa incorreta.

Gabarito: E

A questão cobra um ponto clássico do ECA: os direitos da criança e do adolescente não ficam só no papel, porque a lei distribui deveres entre família, escola, saúde e poder público. A ideia é simples: se a criança precisa estudar, ser atendida na saúde ou ter seus direitos protegidos, cada ator tem uma função bem definida, e quem vê a situação não pode fingir que não viu. O Estatuto da Criança e do Adolescente traz vários comandos nesse sentido, como os arts. 55 e 56, além do art. 14, que trata da atuação do SUS em programas de assistência e prevenção. Por isso, a alternativa errada é a que afirma que profissionais de saúde não têm dever de comunicar órgãos competentes quando identificarem violação de direitos. Isso está invertido. O art. 13 do ECA determina a comunicação obrigatória ao Conselho Tutelar em casos de maus-tratos, e o art. 245 pune, inclusive, a omissão de médicos, professores e responsáveis por estabelecimentos de atenção à saúde e ensino. Ou seja, o sigilo profissional não serve de escudo para encobrir violação de direitos de criança e adolescente. Na prática, o sigilo continua existindo, mas não é absoluto. Quando houver suspeita ou confirmação de violência, negligência ou outra forma de violação, a proteção integral fala mais alto. A lógica do Estatuto é de proteção prioritária, e não de silêncio elegante. Então, o gabarito E está correto porque nega um dever que a lei expressamente impõe aos profissionais de saúde: comunicar os casos às autoridades competentes, especialmente ao Conselho Tutelar, para que a rede de proteção atue.

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