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Direito da Crianca e do Adolescente · Instituto AOCP · 2022

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Conforme a jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre o Direito da Criança e do Adolescente, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta. I. A adoção é irrevogável no direito brasileiro. Soma-se a isso o fato de que a adoção é procedimento de jurisdição voluntária. Por tais razões, descabe ação rescisória contra decisão que concede a adoção. No entanto, caso os pais adotivos descumpram seus deveres e incidam em hipótese que resulte em perda do poder familiar, pode ocorrer nova adoção da criança ou adolescente, desfazendo-se o vínculo de filiação anterior conforme o melhor interesse da criança. II. O pai de uma criança, assistida da Defensoria Pública, ajuizou ação contra determinado município na Vara da Infância e Juventude buscando vaga em creche que foi negada pela via administrativa. Ao final, obteve êxito e foram arbitrados honorários sucumbenciais para a Defensoria Pública, em desfavor do município, nos termos do art. 4º, XXI da LC80/94. Considerando que a execução dos honorários é de interesse exclusivo da instituição Defensoria Pública e não do pai da criança, seu trâmite deve se dar no juízo da fazenda pública. III. A mãe biológica detém legitimidade para recorrer da sentença que julgou procedente o pedido de guarda formulado por casal que exercia a guarda provisória da criança, mesmo se já destituída do poder familiar em outra ação proposta pelo Ministério Público e já transitada em julgado.

Gabarito: B

Nesta questão, a banca misturou três temas quentes do Direito da Criança e do Adolescente com jurisprudência dos Tribunais Superiores: adoção, cumprimento de sentença com honorários da Defensoria e legitimidade recursal em ações de guarda. A ideia central é sempre a mesma: no ECA, o que manda é o melhor interesse da criança ou do adolescente, e isso faz o Judiciário olhar além da forma e enxergar a realidade familiar concreta. Na assertiva I, a lógica está correta. A adoção, depois de constituída, é irrevogável, e a sentença que a concede não é atacada por ação rescisória, porque se trata de procedimento de jurisdição voluntária. Mas isso não significa blindagem absoluta: se houver descumprimento grave dos deveres pelos adotantes e ocorrer hipótese de perda do poder familiar, o sistema admite nova adoção, sempre com foco na proteção da criança, ainda que o vínculo anterior seja desfeito. Na assertiva II, também está certo o raciocínio. Em ação proposta pela Defensoria Pública para garantir vaga em creche, os honorários sucumbenciais pertencem à instituição, e a execução ocorre em favor dela, não do assistido. Por isso, a cobrança deve tramitar no juízo competente para a execução contra o ente público, isto é, no juízo da fazenda pública, como reconhece a jurisprudência. Já a assertiva III acompanha entendimento do STJ: a mãe biológica pode recorrer da sentença que deferiu a guarda a quem já exercia a guarda provisória, mesmo se tiver sido destituída do poder familiar em ação anterior. O simples fato de estar destituída não elimina automaticamente sua legitimidade recursal quando a decisão ainda repercute diretamente na situação jurídica da criança e no vínculo familiar discutido. Resultado: todas as assertivas estão corretas, então o gabarito é a letra B.

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