Dayrell e Carrano (2003) apontam que o estudo da juventude deve ser permeado pela pluralidade de circunstâncias, características da vida juvenil. Nessa perspectiva analise as afirmativas a seguir: I- As escolas encaram os jovens como um “vir a ser”, ou seja, indivíduos que terão a vida adulta influenciada pelo que fizerem na juventude, valorizando, em função disso, o presente vivido por esse público. II- Explicar a juventude como um momento de comportamentos exóticos, liberdade, conflitos com a autoestima implica uma forma reduzida de perceber a complexidade do que é ser jovem. III- Conceituar juventude envolve considerar aspectos históricos, geográficos, culturais, sociais e de gênero. Estão CORRETAS as afirmativas:
- A)I, II e III.
A alternativa afirma que as três proposições estão corretas. Isso não se sustenta porque a I altera a crítica de Dayrell e Carrano: quando a escola vê o jovem como "vir a ser", ela tende a projetá-lo para o futuro adulto e a esvaziar o valor do presente vivido, e não a valorizá-lo. As proposições II e III estão alinhadas com a ideia de juventudes plurais, mas a presença da I torna o conjunto incorreto.
- B)I e II apenas.
Aqui se sustenta que apenas I e II estariam corretas. O problema é que a I contém um erro conceitual: na abordagem sociológica, o enquadramento do jovem como "vir a ser" é justamente uma forma de reduzir sua experiência presente à preparação para a vida adulta, não de valorizá-la. Além disso, a III também é verdadeira ao reconhecer que juventude é uma categoria atravessada por contexto histórico, territorial, cultural, social e de gênero.
- C)I e III apenas.
A alternativa toma como corretas I e III. A III realmente corresponde à noção de juventude como construção plural e situada, mas a I não procede porque a ideia de "vir a ser" expressa uma visão futurizante que costuma desconsiderar o presente dos jovens, e a frase ainda diz o oposto ao afirmar que esse presente é valorizado. Como a II também é verdadeira ao denunciar a redução estereotipada da juventude, a combinação proposta fica incompleta e inclui uma afirmativa equivocada.
- D)II e III apenas.
Esta é a combinação correta, porque a II e a III traduzem fielmente a leitura de Dayrell e Carrano. A II identifica a visão simplificadora que associa juventude a excentricidade, liberdade irrestrita e conflitos com a autoestima, enquanto a III reconhece que não existe uma juventude única, mas juventudes marcadas por história, território, cultura, classe e gênero. A I fica de fora porque a crítica sociológica não valoriza o presente quando fala em "vir a ser"; ela aponta justamente sua desqualificação em favor de um futuro adulto.
Gabarito: D
A ideia central da questão é que juventude nao deve ser vista como uma fase unica e padronizada. Dayrell e Carrano defendem que existir jovem no Brasil depende de muitos fatores: classe social, territorio, cultura, genero, etnia e ate o momento historico em que essa juventude acontece. Por isso, falar em "juventudes" no plural costuma ser mais correto do que tratar todo jovem como se vivesse a mesma realidade. A afirmativa I esta errada porque mistura os sentidos. Quando a escola ve o jovem como um "vir a ser", ela normalmente valoriza o futuro e reduz o presente do jovem, nao o contrario. Ou seja, o jovem passa a ser encarado mais como adulto em preparacao do que como sujeito de direitos no agora. A afirmativa II esta correta porque reduzir a juventude a excentricidade, liberdade sem limites ou crise de autoestima e simplificar demais um fenomeno bem mais complexo. Juventude nao e caricatura, e fase vivida de formas muito diferentes conforme o contexto. A afirmativa III tambem esta correta. Conceituar juventude exige olhar para o conjunto de condicionantes historicos, geograficos, culturais, sociais e de genero. Essa leitura dialoga com a doutrina da protecao integral e com a ideia de jovem como sujeito de direitos, nao apenas como "adulto em construçao". Por isso, o gabarito e D: apenas II e III estao corretas.