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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2023

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Jefferson, adolescente de 17 anos, pratica ato infracional análogo ao crime de homicídio. Após apreensão em flagrante e apresentação para oitiva informal, o Ministério Público representa em face do adolescente, requerendo a internação provisória, que é deferida pelo juiz da Infância e Juventude. Após a realização de audiência de apresentação, o magistrado designa audiência em continuação, a se realizar em 30 dias. Tendo em vista a recusa dos funcionários do sistema socioeducativo em transportarem Jefferson à Vara da Infância e Juventude, como forma de protesto contra decisões administrativas exaradas pelo diretor da unidade socioeducativa de internação, o adolescente não é apresentado para a audiência em continuação e permanece internado por mais 25 dias. Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA), é correto afirmar que

Gabarito: D

A internação provisória no ECA é uma medida cautelar, excepcional e sujeita a prazo máximo de 45 dias, conforme o art. 183 da Lei 8.069/1990. Esse prazo existe justamente para impedir que o adolescente fique “esquecido” no sistema, porque cautelar não pode virar punição antecipada. Passou do limite sem julgamento? A liberdade volta a falar mais alto. No caso narrado, Jefferson ficou internado além do período legal porque a audiência em continuação não ocorreu no tempo adequado e ainda houve permanência por mais 25 dias. Esse excesso configura constrangimento ilegal, já que a privação da liberdade passou a carecer de suporte legal. Em situações assim, é cabível habeas corpus, porque o remédio constitucional protege qualquer pessoa contra coação ilegal à liberdade de locomoção, inclusive adolescente. A lógica do ECA é rigorosa com prazos quando há restrição de liberdade. A internação provisória não pode ser prorrogada livremente pelo juiz, e também não se resolve com “boa vontade administrativa” da unidade socioeducativa. Se o prazo estourou, a retenção se torna ilegal. Por isso, a alternativa correta é a que aponta constrangimento ilegal e a possibilidade de habeas corpus. Esse é o jeito clássico da banca cobrar o tema: prazo curto, excesso de prazo e liberdade como regra, não como lembrança distante.

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