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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2023

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Maria, grávida de seis meses, apresentou declaração escrita à equipe que realizava seu pré-natal, manifestando interesse em entregar o recém-nascido para adoção. Realizado o parto, Maria ratificou a declaração anterior e recusou conhecer e nomear a criança. O caso foi comunicado à Vara da Infância, que determinou a lavratura de registro civil, suspensão do poder familiar e entrega para casal habilitado à adoção. Iniciado o processo de adoção e destituição do poder familiar, Maria não foi encontrada para citação pessoal para a audiência de confirmação do seu interesse, mas o juiz utilizou a declaração escrita e a ratificação pós-parto para julgar procedentes os pedidos. Nove dias após a sentença, Maria procura atendimento na Defensoria Pública dizendo-se arrependida da entrega e que gostaria de reverter a decisão. Estava acompanhada de homem que se declarou pai biológico da criança. Nesse caso, é correto afirmar que:

Gabarito: C

A adoção, no ECA, é cercada de formalidades porque o foco é proteger a criança e também evitar que a entrega seja feita no impulso, no susto ou sem a devida checagem da família biológica. Por isso, o procedimento exige cuidado com a oitiva dos pais, a localização do pai biológico e a tentativa de inserção na família extensa antes de se consolidar a adoção. Na lógica cobrada pela questão, a sentença foi viciada porque Maria não foi validamente citada para a audiência de confirmação do seu interesse. Sem essa ciência formal, o contraditório fica comprometido. Além disso, o caso também aponta a ausência de tentativa de localização do pai biológico e de busca de família extensa, etapas relevantes no ECA antes de se encaminhar a criança para a adoção. Outro ponto explorado pela FGV foi a ideia de que a manifestação anterior ao parto não basta, por si só, para resolver tudo com segurança jurídica. A entrega para adoção precisa observar o procedimento legal, e não um atalho administrativo. Em prova, a banca adora esse detalhe: quando falta forma, a decisão desanda. Assim, o correto é dizer que a decisão deve ser atacada por apelação, no prazo indicado na alternativa, com a observação de que não houve citação válida e que também não foram esgotadas as diligências quanto ao pai biológico e à família extensa. É por isso que o gabarito é a letra C.

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