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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2023

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Robson, adolescente de 17 anos, é apreendido em flagrante pela prática de ato infracional análogo ao crime de latrocínio, praticado em coautoria com Mário, de 30 anos de idade. Os policiais transportam Robson e Mário em veículo do tipo camburão, com compartimento fechado na parte traseira, na medida em que não havia outra viatura disponível no momento da ocorrência policial. Finda a instrução da ação proposta em face de Robson em virtude da prática de ato infracional, o juiz da Infância e da Juventude aplica ao adolescente a medida socioeducativa de internação pelo prazo mínimo de 1 ano. A equipe técnica da unidade de internação sugere, no Plano Individual de Atendimento (PIA), que Robson continue praticando judô em centro de treinamento localizado fora da unidade, na medida em que o adolescente competia em campeonatos esportivos antes da apreensão pela prática de ato infracional. Júlio César, diretor da unidade, impede a saída de Robson da unidade, por entender que tal atividade esportiva é incompatível com a medida socioeducativa de internação e o ato infracional é grave. Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA), é correto afirmar que:

Gabarito: A

Na internação, a regra do ECA não é isolar o adolescente do mundo como se fosse um “modo avião” total. A medida é a mais grave do sistema socioeducativo, mas continua sendo educativa e deve preservar vínculos, rotina e possibilidades de desenvolvimento, sempre que isso fizer sentido no caso concreto. Por isso, a Lei 8.069/1990 prevê que a internação pode admitir atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo determinação judicial em sentido contrário. Isso está no art. 121, §1º, do ECA. Ou seja: quem trabalha o caso no dia a dia é a equipe técnica, e não o diretor da unidade por vontade própria. No enunciado, a equipe técnica colocou no PIA a continuidade do judô fora da unidade. Se não houver decisão judicial proibindo a atividade, a execução deve respeitar essa orientação técnica. O diretor não pode simplesmente barrar a saída porque achou o ato infracional grave ou incompatível com o esporte. Resumo para prova: em internação, atividade externa é possível, depende da avaliação técnica e pode ser vedada pelo juiz. A banca gosta de trocar esse equilíbrio por uma ideia de “gravidade = tudo proibido”, mas o ECA não funciona assim.

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