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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2023

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

O Conselho Tutelar recebe notícia de fato informando que a criança Maria é vítima de violência doméstica e familiar praticada por seu pai. Ao realizar visita domiciliar, a conselheira tutelar Neide constata a veracidade da denúncia, identificando risco iminente à integridade física da criança, em razão das agressões sofridas. O Município em que Neide atua não é sede de Comarca, razão pela qual a conselheira afasta o agressor do lar através de medida por ela aplicada, dirigindo-se, posteriormente, à Delegacia de Polícia daquele Município para registro de ocorrência do crime praticado contra a criança, sendo atendida pelo delegado, que estava de plantão desde o início do dia. Considerando o disposto na Lei nº 14.344/2022, é correto afirmar que:

Gabarito: C

A Lei nº 14.344/2022, conhecida como Lei Henry Borel, criou um rito de proteção rápida para casos de violência doméstica e familiar contra criança e adolescente. A lógica aqui é simples: se há risco atual ou iminente à integridade física ou psíquica, o sistema não pode esperar a máquina judicial andar no ritmo de um carro velho em ladeira. Nessa lei, o afastamento do agressor do lar pode ser determinado pela autoridade judicial, mas também pode ser feito, em situações excepcionais, pela autoridade policial ou até por policial, quando o município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento da denúncia. Ou seja: a lei flexibiliza a reserva de jurisdição para garantir proteção imediata. No caso narrado, o município não é sede de comarca, e havia delegado de plantão na delegacia. Então a conselheira tutelar podia acionar a autoridade policial para providenciar o afastamento do agressor. Isso está em linha com a regra especial da Lei nº 14.344/2022, que prioriza a proteção da vítima e a atuação imediata quando o Judiciário não é a via mais rápida. Por isso, o gabarito é a letra C: houve a constatação do risco, o município não era sede de comarca, e havia autoridade policial presente para adotar a medida cabível. O Conselho Tutelar não substitui o juiz por conta própria, mas pode provocar a atuação da autoridade competente prevista na lei.

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