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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2023

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Fabrícia dá à luz a criança do sexo masculino e comunica à assistente social da maternidade, Fátima, que quer entregar seu filho em adoção e que deseja exercer o direito ao sigilo quanto à entrega. Fátima comunica o fato à Vara da Infância e Juventude que, através de sua equipe técnica, realiza o atendimento de Fabrícia, encaminhando-a, com autorização do juiz e mediante a sua concordância, para atendimento pelas redes municipais de saúde e de assistência social. O magistrado designa audiência para colher a manifestação de vontade de Fabrícia, que, devidamente acompanhada de defensor público, reafirma o desejo de entregar o filho em adoção, reitera o pedido de sigilo e não informa o nome do suposto genitor da criança. Agindo de ofício, o juiz realiza a pesquisa cadastral e contata os pais de Fabrícia, consultando-os sobre o interesse em exercerem a guarda do neto. Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA), é correto afirmar que:

Gabarito: B

A questão trata da entrega voluntária de filho para adoção, tema regulado pelo ECA com bastante cuidado para evitar pressão, exposição e decisões apressadas. Quando a genitora manifesta esse desejo, a Vara da Infância deve garantir atendimento pela equipe técnica, sigilo e acompanhamento por defensor, tudo para assegurar que a vontade seja livre e consciente. O ponto central aqui é que, havendo concordância da mãe após a orientação e a oitiva judicial, o juiz homologa a entrega e extingue o poder familiar por sentença, sem necessidade de ação autônoma de destituição. O ECA, no art. 166, disciplina esse procedimento de forma específica, e o direito de arrependimento existe por 10 dias, contado da audiência em que foi colhida a manifestação de vontade. Também é importante lembrar que a família extensa não é chamada de modo automático e indiscriminado, principalmente quando a genitora pede sigilo. A atuação judicial deve respeitar a intimidade da mãe e o fluxo legal do procedimento, sem transformar a entrega em um pequeno reality show familiar. Por isso, o gabarito é a letra B: a lei prevê a extinção do poder familiar nessa hipótese, com ressalva do direito de arrependimento no prazo legal. As demais alternativas misturam entrega voluntária com abandono, investigação de paternidade ou imposição de deveres que o ECA não exige nesses termos.

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