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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2022

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Fabiana, residente no município de Três Lagoas, tem dois filhos, Kelly e Michel, sendo certo que as crianças não possuem o nome do genitor em seus registros de nascimento. Fabiana é acometida de grave doença e falece. Tendo em vista a inexistência de parentes que possam exercer a guarda das crianças, após a realização de estudos técnicos, Kelly e Michel são acolhidos em Campo Grande, decidindo o magistrado pela colocação das crianças em família substituta. Após consulta ao Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), a equipe técnica da Vara da Infância e Juventude localiza casal habilitado à adoção dos irmãos, encaminhando-os a atendimento pela Defensoria Pública. Considerando o disposto na Lei nº 8.069/1990 (ECA) acerca da competência, a ação de adoção deverá ser proposta em:

Gabarito: B

Na competência do ECA, a regra muda conforme exista ou não pai, mãe ou responsável apto a ser localizado. O art. 147, I, do Estatuto fala em domicílio dos pais ou responsável, mas o inciso II resolve a vida quando essa referência não existe: a ação deve ser proposta no lugar onde a criança ou o adolescente se encontre. Foi exatamente o que ocorreu aqui. Fabiana faleceu, não havia parentes aptos a exercer a guarda e as crianças estavam acolhidas em Campo Grande. Então, para fins da ação de adoção, o foro competente é o do local em que os irmãos se encontram, e não o antigo domicílio da família em Três Lagoas. A lógica do ECA é proteger o interesse da criança, facilitando a atuação da Vara da Infância do local onde ela está e onde a equipe técnica pode acompanhar melhor o caso. Em adoção, a competência não é um detalhe burocrático qualquer - ela serve para aproximar a decisão da realidade concreta da criança. Por isso, o gabarito é a letra B.

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