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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2022

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Bárbara, adolescente de 15 anos, encontra-se em acolhimento familiar, sob os cuidados do casal de acolhedores Jeremias e Carmem, sendo remotas as possibilidades de reintegração à família natural ou extensa. Após a destituição do poder familiar de seus pais, são realizadas diversas tentativas de colocação de Bárbara em família substituta, sem que haja pretendentes habilitados à adoção da adolescente. A equipe técnica da Vara da Infância e Juventude sugere a inclusão da adolescente no programa de apadrinhamento afetivo desenvolvido por organização da sociedade civil na Comarca. Considerando a regulamentação do apadrinhamento pela Lei nº 8.069/1990 (ECA), é correto afirmar que:

Gabarito: E

O apadrinhamento no ECA é uma medida pensada para abrir portas e vínculos para crianças e adolescentes que estão acolhidos e que, muitas vezes, já não têm perspectiva real de reintegração familiar ou adoção rápida. A ideia é simples: oferecer convivência comunitária, apoio material, afetivo, social e até cultural, sem que isso signifique tirar a criança do acolhimento ou transferir a guarda automaticamente. Por isso, o caso de Bárbara encaixa bem no programa: ela é adolescente, está em acolhimento familiar, a reintegração à família natural ou extensa é remota e não houve pretendentes habilitados à adoção. Esse é justamente o perfil em que o apadrinhamento costuma ser mais útil, como forma de ampliar vínculos e oportunidades sem prometer o que o programa não entrega. O ponto-chave que derruba a alternativa correta da prova é o requisito legal para ser padrinho ou madrinha. Pelo ECA, podem ser pessoas maiores de 18 anos, mas não inscritas nos cadastros de adoção. A lógica é evitar confusão entre apadrinhamento e adoção: uma coisa é ajudar e criar vínculo; outra é buscar colocação em família substituta. Então, se a questão tenta fazer você achar que o padrinho precisa ser alguém habilitado para adoção, ela está misturando dois institutos diferentes. No ECA, apadrinhamento não é adoção disfarçada, nem guarda automática com laço afetivo. É apoio e convivência, com regra própria.

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