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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2018

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Beatriz, quando solteira, adotou o bebê Théo. Passados dois anos da adoção, Beatriz começou a viver em união estável com Leandro. Em razão das constantes viagens a trabalho de Beatriz, Leandro era quem diariamente cuidava de Théo, participando de todas as atividades escolares. Théo reconheceu Leandro como pai. Quando Beatriz e Leandro terminaram o relacionamento, Théo já contava com 15 anos de idade. Leandro, atendendo a um pedido do adolescente, decide ingressar com ação de adoção unilateral do infante. Beatriz discorda do pedido, sob o argumento de que a união estável está extinta e que não mantém um bom relacionamento com Leandro. Considerando o Princípio do Superior Interesse da Criança e do Adolescente e a Prioridade Absoluta no Tratamento de seus Direitos, Théo pode ser adotado por Leandro?

Gabarito: D

A adoção no ECA é guiada pelo melhor interesse da criança e do adolescente, não pelo estado civil de quem pede. Em outras palavras: o Judiciário olha para a realidade afetiva e para a proteção do menor, e não para um checklist formal de relacionamento que já acabou. No caso, Leandro exerceu papel de pai no cotidiano, criou vínculo socioafetivo com Théo e ainda houve reconhecimento do adolescente. Isso pesa muito. A jurisprudência admite, em situações excepcionais, o deferimento de adoção unilateral mesmo após o término da união estável, desde que isso atenda ao interesse do adolescente e preserve sua proteção integral. A tese da mãe não prevalece só porque a união estável terminou ou porque ela discorda. O centro da análise é a vantagem concreta para Théo, especialmente porque ele já tem 15 anos e expressou vontade de ser adotado. O ECA valoriza essa escuta do adolescente e a prioridade absoluta dos seus direitos. Por isso, o gabarito é a letra D: a adoção unilateral pode ser excepcionalmente deferida, ainda que sem consenso entre os adultos, e o juiz pode ajustar a convivência familiar de modo compatível com a nova realidade da criança ou do adolescente.

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