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Direito da Crianca e do Adolescente · FGV · 2013

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Paulo, de 4 anos, é filho de Carla e não teve a sua paternidade reconhecida. Cláudio, avô de Carla e bisavô de Paulo, muito preocupado com o futuro do bisneto, pretende adotá-lo, tendo em vista que Carla ostenta uma situação financeira precária e, na opinião do avô, não é muito responsável. Acerca da possibilidade de adoção de Paulo por Cláudio, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A adoção, no ECA, é medida excepcional e sempre voltada ao melhor interesse da criança. Por isso, a lei coloca algumas travas bem claras: não se admite adoção por ascendente nem por irmão do adotando. Essa vedação está no art. 42, parágrafo 1º, do ECA, e vale justamente para evitar que a adoção seja usada para “embaralhar” vínculos familiares que já existem. No caso, Cláudio é bisavô de Paulo, ou seja, ascendente em linha reta. E aqui não tem jeitinho jurídico: mesmo com boa intenção e até com concordância da mãe, a adoção é juridicamente impossível, porque a proibição legal é objetiva. A vontade dos envolvidos não conserta o que a lei veda expressamente. A banca explora muito a ideia de família extensa ou ampliada, mas isso não significa prioridade automática para adoção. Família extensa pode ser relevante para guarda, convivência e proteção, porém não revoga a regra do art. 42, parágrafo 1º. A adoção por ascendente continua proibida. Então, o gabarito B está correto porque Cláudio, sendo bisavô de Paulo, não pode adotá-lo, ainda que Carla consinta. A lei bloqueia essa hipótese de forma direta e sem espaço para exceção nesse ponto.

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