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Direito da Crianca e do Adolescente · FCC · 2022

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Neusa não tem parentesco com Mateus, 8 anos, e o cria desde que tinha um ano de vida. Considera o menino como seu filho e gostaria que ele tivesse, no registro de nascimento, o nome dela como mãe. Para alcançar seu objetivo,

Gabarito: A

Adoção, no ECA, não é atalho: ela é medida excepcional e subsidiária. Antes de colocar o nome de alguém como mãe no registro, o Judiciário precisa verificar se a criança não pode permanecer com a família natural ou extensa, porque a prioridade sempre é manter os vínculos familiares quando isso for possível e saudável. Isso conversa com os arts. 28 e 39 do ECA e com a lógica do melhor interesse da criança. No caso, Neusa não tem parentesco com Mateus, mas o cria desde muito pequeno e quer formalizar uma relação materna. Para isso, o caminho jurídico adequado é a adoção judicial, com análise de convivência, vantagens reais para a criança e, principalmente, da impossibilidade ou desinteresse dos parentes biológicos em assumir os cuidados. Não basta afetividade: precisa haver decisão judicial e respeito ao procedimento legal. Por isso o gabarito A é o correto em essência. A banca quis cobrar que, antes da adoção por terceira pessoa, deve-se demonstrar que a mãe biológica e os demais familiares próximos não têm interesse ou condições de exercer o cuidado, já que a adoção só entra em cena quando a manutenção na família de origem não atende ao interesse da criança. Em resumo: afeto conta muito, mas no Direito da Criança e do Adolescente ele anda de mãos dadas com procedimento, proteção integral e prioridade da família natural sempre que possível. Sem essa checagem judicial, não se troca nome no registro por simples vontade dos adultos.

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