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Direito da Crianca e do Adolescente · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito da Crianca e do Adolescente

Um integrante do conselho tutelar procurou o MP/BA para denunciar os pais de uma adolescente por maus tratos em razão da participação desta em ritos cerimoniais do candomblé, que consistiam em raspar a cabeça, manter restrições alimentares e andar com roupas brancas e colares com contas coloridas, além de adereços de cabeça e outros símbolos sagrados. Em sua denúncia, o integrante do conselho tutelar solicitou que o MP instaurasse inquérito para averiguar a responsabilidade dos pais da adolescente pela iniciação desta no candomblé. Nessa situação hipotética, conforme o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente,

Gabarito: B

O ECA protege a criança e o adolescente como sujeitos de direitos, e isso inclui liberdade de crença, respeito à dignidade, cultura e convivência familiar. No caso de religiões de matriz africana, como o candomblé, a própria Constituição garante a liberdade religiosa e a proteção às manifestações culturais e religiosas, então não faz sentido tratar a simples participação em ritos sagrados como maus-tratos por si só. O ponto central aqui é que a família pode transmitir crenças e valores aos filhos, desde que isso ocorra sem violência, humilhação ou risco indevido à integridade da adolescente. O ECA, nos arts. 15, 16 e 17, assegura liberdade, respeito e inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, e o art. 22 atribui aos pais o dever de dirigir a criação dos filhos. Em outras palavras: educação religiosa não é automaticamente abuso; o que pode gerar problema é excesso, coerção ou dano concreto. Por isso o gabarito B é o correto: a adolescente pode participar da iniciação religiosa, com consentimento dos pais ou responsáveis, dentro do contexto familiar e com observância do bem-estar dela. A banca quer que você perceba que o ECA não proíbe a vivência religiosa, muito menos criminaliza rituais tradicionais apenas por serem diferentes do padrão majoritário. Então, se a conduta não envolve violência, exploração ou violação de direitos, não cabe falar em afastamento familiar nem em intervenção penal ou protetiva extrema. O direito da criança e do adolescente aqui conversa com a liberdade religiosa e com a proteção à diversidade cultural, não com a patrulha do terreiro.

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