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Direito Administrativo · VUNESP · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Considere que Mário é policial civil e está atualmente lotado em unidade responsável pela gestão administrativa da corporação. Por saber que a Administração é vinculada ao princípio da legalidade e que, em determinadas situações, a própria legislação confere certa margem de liberdade para a sua ação, Mário procura o seu chefe, João, para saber quais seriam as particularidades do poder discricionário. Com base na situação hipotética, João poderá informar a Mário, de forma correta, que

Gabarito: A

O poder discricionário aparece quando a lei deixa para a Administração uma margem legítima de escolha. Não é liberdade total, viu? A autoridade continua presa à lei, ao motivo, à finalidade e aos princípios administrativos. O que muda é que a norma não engessa completamente a atuação, permitindo avaliar conveniência e oportunidade dentro dos limites legais. Na prática, isso pode ocorrer tanto na edição do ato administrativo quanto no seu desfazimento, especialmente quando se fala em revogação. A revogação é medida de mérito administrativo, ou seja, depende de juízo de conveniência e oportunidade. Já a anulação não é discricionária: ela acontece quando há ilegalidade, e aí a Administração ou o Judiciário não escolhem se querem anular ou não, mas sim reconhecem o vício. Por isso, a alternativa A está correta. Ela capta a ideia de que a discricionariedade pode estar presente no momento de praticar o ato e também no momento de desfazê-lo, quando esse desfazimento for por revogação. A doutrina clássica de Direito Administrativo trata exatamente assim: ato discricionário não é ato livre, mas ato com liberdade juridicamente controlada. Em resumo: discricionariedade não significa agir do jeito que quiser, e sim escolher, dentro da lei, a solução mais conveniente e oportuna. A Administração não pode sair do trilho, só pode escolher a faixa permitida.

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